Quinta-Feira, 29 de Outubro de 2020
Brasil

Quadrilha criou ’empresa’ dentro de Viracopos para operar tráfico, diz PF

Investigação começou em fevereiro após a apreensão de 58 kg de cocaína

Por: Vale Agora Web em 06/10/2020 às 22:36
35 mandados de prisão foram cumpridos pela Polícia Federal FOTO: RICARDO LIMA

35 mandados de prisão foram cumpridos pela Polícia Federal
FOTO: RICARDO LIMA

A quadrilha presa nesta terça-feira (6) durante a operação da Polícia Federal (PF) batizada de Overload criou uma “empresa paralela” para operar o tráfico internacional dentro do Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP).

Ao todo, 35 mandados de prisão e 44 de busca e apreensão foram cumpridos. Dois homens morreram durante a abordagem. O terminal é o maior do país no volume de entrada e saída de cargas por via aérea.

De acordo com o delegado chefe da PF em Campinas, Edson Geraldo de Souza, o grupo não era responsável só pelo envio de drogas para o exterior, mas também prestava serviços para qualquer pessoa que quisesse enviar entorpecentes ou algo ilícito para outro país.

“Eles montaram uma empresa paralela de logística para oferecer serviços de envio de droga para fora do país a quem tivesse interesse. Eles estavam abertos para fazer negócios com qualquer um”, disse o delegado.

Como o grupo agia

De acordo com a investigação, a organização criminosa era composta por brasileiros que ficavam responsáveis pelo fornecimento de cocaína que seria exportada para a Europa. Além disso, o grupo aliciava funcionários terceirizados do aeroporto para que interferissem a favor da quadrilha nas atividades de logística do terminal.

A investigação também informou que a quadrilha utilizava pelos menos três meios para colocar a droga dentro dos aviões: em caminhões que levavam cobertores das aeronaves, em alimentos ou em tratores que circulavam dentro do pátio do terminal.

“A colocação da droga era sempre por meio de carga ou bagagem. Cada pessoa que atuava no carregamento recebia R$ 50 mil. Ou seja, cada movimentação ilícita de envio de droga custava em torno de R$ 300 mil”, disse outro delegado da PF, Marcelo Ivo de Carvalho.

Os mandados foram cumpridos em quatro estados: São Paulo, Mato Grosso, Amazonas e Rio Grande do Norte. Entre as pessoas presas, estão um policial militar e um policial civil.

Dois suspeitos foram mortos

Duas pessoas morreram em confronto com a PF na manhã desta terça-feira (6) durante a operação.

Segundo a investigação, um dos homens que morreram já era indiciado por roubo e homicídio, enquanto o outro não tinha nenhuma passagem. A PF informou que abriu inquérito para apurar as circunstâncias das mortes, ambas em Campinas, mas não deu detalhes sobre como elas aconteceram.

Os óbitos ocorreram nos bairros Campo Belo e Cidade Singer, periferia da cidade. A polícia não informou se houve recolhimento das armas dos suspeitos.

‘Excesso de carga’

A operação, que recebeu o nome de Overload, contou com o apoio das polícias Civil, Militar, Rodoviária, Receita Federal, além da corregedoria da PM. Entre os presos, há 33 homens e duas mulheres. A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, que administra a estrutura, disse ao G1 que colaborou com as investigações.

Em um dos endereços investigados pela Polícia Federal em Monte Mor (SP), foram apreendidos R$ 180 mil em dinheiro. Dos 35 mandados de prisão cumpridos, 26 foram na região de Campinas.

Mais de 200 policiais federais, 80 policiais militares e seis policiais civis participam da operação. O nome da força-tarefa, Overload, faz referência ao excesso de carga.

Grupo aliciava funcionários do aeroporto

As investigações começaram em fevereiro, com a apreensão, na área restrita de segurança do terminal, de 58 quilos de cocaína antes do embarque.

Depois do flagrante, a Polícia Federal mapeou a rede criminosa, identificando as respectivas lideranças, as pessoas com quem se relacionaram e o processo empregado na exportação de grande quantidades de cocaína, a partir do aeroporto, com destino ao continente europeu. A quadrilha também operava para ocultar o lucro obtido com a prática criminosa.

Ainda segundo a investigação, entre os funcionários e ex-funcionários terceirizados do aeroporto que atuam com a quadrilha, estão vigilantes, operadores de tratores, coordenadores de tráfego, motoristas de viaturas, auxiliares de rampa, operadores de equipamentos e funcionários de empresas fornecedoras de refeições a tripulantes e passageiros, que eram os responsáveis pelo esquema de embarque das drogas nas aeronaves com destino ao exterior.

Forma de atuação

A Polícia Federal informou que o grupo tinha uma atuação “complexa e sofisticada”, formada por três pilares:

  • Grupo de operadores externos: pessoas que não pertencem ao quadro de funcionários do aeroporto e eram os responsáveis pelas tratativas com investidores e traficantes estrangeiros, assim como pelo aliciamento de empregados aeroportuários;
  • Grupo de operadores internos: empregados aeroportuários aliciados que exercem suas atividades na área restrita de segurança, especialmente em funções que envolvam carga e descarga de aeronaves e suas movimentações;
  • Grupo de operadores estrangeiros: traficantes em solo europeu responsáveis pela retirada da cocaína exportada a partir do Aeroporto Internacional de Viracopos.
  • A organização também utilizava o dinheiro do tráfico para comprar imóveis, veículos, abrir contas bancárias em nome de terceiros, e empresas fora do país. Desde o início da investigação, em fevereiro, a Polícia Federal apreendeu 250 kg de drogas em cinco apreensões diferentes.

 

 

 

 

 

Por G1 | Portal Gazetaweb.com

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