Sexta-Feira, 21 de Fevereiro de 2020
Cultura

Viçosa deve ser celebrada por sua importância no dia da “Consciência Negra”

Por: Vale Agora Web em 20/11/2015 às 7:13
Cachoeira Serra Dois Irmãos, Viçosa-AL. (Foto: Overomundo).

Cachoeira Serra Dois Irmãos, Viçosa-AL. (Foto: Overomundo).

Todos os viçosenses conhecem a história de que Zumbi foi morto em terras de Viçosa, na Serra Dois Irmãos em 1695. Entretanto, em Viçosa, não há vestígios nem museus para falar sobre a morte de Zumbi, diferente da Serra da Barriga, onde ficava o Quilombo dos Palmares.

O Zumbi não morreu na Serra da Barriga, ele conseguiu sair de lá e foi perseguido até a Serra Dois Irmãos. O professor aposentado Edson Moreira anunciou o desejo de construir, em Alagoas, um panteão em homenagem à luta dos negros contra o preconceito e a escravidão. Seria a ‘Meca’ dos negros, um lugar para veneração mundial. E isso tudo em Viçosa.

No projeto do professor Edson Moreira, a Serra é um dos três locais mais importantes do mundo ao se falar na luta contra a escravidão. O primeiro é a cidade de Porto Calvo, no litoral norte alagoano, onde Zumbi foi educado por padres, o segundo é a Serra da Barriga, onde foi erguido o Quilombo, e o terceiro é a Serra Dois Irmãos, último lugar de fuga de Zumbi antes da morte.

“Antes da Queda da Bastilha, na França, nós tínhamos o maior grito pela democracia e foi no Brasil. Se essa história fosse contada na França ou na Inglaterra, eles falariam disso o tempo todo. O Brasil tem vergonha de Zumbi”, diz o professor.

“Zumbi é um herói nacional. Para mim, o maior das Américas e um dos maiores do mundo. Os negros brasileiros ajudaram a erguer este País com sangue e lágrimas. Enquanto isso, os senhores de engenho ficavam deitados nas redes da Casa Grande”, disse.

Moreira fundou e mantém com o dinheiro da aposentadoria o Museu do Quilombo, em Maceió, em um casarão erguido no início do século passado. O acervo tem recortes de jornais, documentos – entre eles, cartas de alforria – objetos e a caneta responsável pela assinatura do decreto federal, na década de 80, transformando a Serra da Barriga em monumento histórico.

“Os gregos têm seus deuses. Por que não venerarmos os deuses negros?”, questiona. “Os negros acreditavam na Serra da Barriga. O projeto para a construção do Parque Memorial era o nosso sonho. Mas, entrou a política no meio. O povo de Alagoas tem que conhecer as suas raízes. Na Europa ou nos Estados Unidos, as pessoas sabem quem são parentes distantes, tem a sua história. Aqui, os negros foram massacrados. Sabe-se que vieram da África, mas quando chegavam aqui eram obrigados a mudar de nome”, contou.

Sem apoio do governo ou de instituições, o professor junta R$ 45 mil para a construção de uma segunda ala do Museu do Quilombo, na própria casa. Lá, colocará livros, discos, objetos. “O Zumbi tinha uma missão: ele se entregou ao Brasil”, afirmou o professor.

Em 2009 o professor Edson foi procurado pela prefeitura de Viçosa para desenvolver o projeto de criação da Meca dos Negros, mas o sonho não se concretizou.

Informações obtidas através da matéria do Portal Terra e do jornalista Odilon Rios, em 20/11/209.

Por Marcos Silva com textos de Odilon Rios e Portal Terra

 

 

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