Quarta-Feira, 24 de Julho de 2019
Justiça

Gasoduto construído em Alagoas é citado em investigação da Lava Jato

Integrantes do esquema receberam R$ 11 milhões, segundo o MPF

Por: Vale Agora Web em 17/03/2015 às 17:49
Trecho da denúncia encaminhada pelo MPF para a Justiça(Foto: Reprodução)

Trecho da denúncia encaminhada pelo MPF para a Justiça(Foto: Reprodução)

Investigações desencadeadas pelo Ministério Público Federal (MPF) do Paraná e divulgadas esta semana revelam a existência de um esquema ilegal durante a construção do gasotudo Pilar/Ipojuca, que leva gás natural de Alagoas a Pernambuco, envolvendo acusados na Operação Lava Jato. As obras foram orçadas em mais de R$ 550 milhões e, segundo os procuradores do MPF, cerca de R$ 11 milhões foram desviados.

O montante representa cerca de 2% do valor do projeto, contabilizado os aditivos. O MPF diz que o esquema era “sofisticado e complexo” e que permitia o desvio de recursos públicos da Petrobras em mais três obras: Replan, Repar e Gasoduto Urucu Coari.

Na denúncia, o MPF diz que o acordo para o suposto esquema do gasoduto em Alagoas teria sido organizado pelos integrantes da constrtura OAS, o então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, e o gerente de Engenharia da Petrobras, Pedro Barusco. No esquema, afirmam os procuradores, eles praticaram sobrepreço para favorecer a OAS.

Na denúncia apresentada à Justiça, o MPF esclarece que identificou o uso de doações oficiais para disfarçar o recebimento propina em pagamento lícito mas que, na verdade, tratava-se de lavagem de dinheiro. De acordo com o MPF, a pedido do então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, foram feitas 24 doações ao Partido dos Trabalhadores (PT) entre outubro de 2008 e abril de 2010, totalizando R$ 4,26 milhões.

As diligências apontam também que as obras que estão sob suspeitas foram tocadas pelo grupo de empresas formado pelas construtoras OAS, Mendes Junior e Setal. O coordenador da Força-tarefa, procurador da República Deltan Dallagnol, mostrou, a partir do fluxograma, como os valores saíam dos contratos com a Petrobras, passavam por sofisticados processos de lavagem de dinheiro e chegavam até os diretores corrompidos na Petrobras.

Segundo as estimativas do MPF, foram 24 atos de corrupção totalizando R$ 136 milhões nessas obras e 503 atos de lavagem de ativos que somam R$ 292 milhões. De acordo com o MPF, o então tesoureiro do partido, João Vaccari, participava de reuniões com Duque, Barusco e empresários para tratar de propina e indicava as contas dos diretórios onde deveriam ser feitos os depósitos. Vaccari é um dos denunciados pela participação no esquema.

Vaccari nega acusações

Em nota, a defesa do tesoureiro do PT afirma que João Vaccari Neto não participou de qualquer esquema de corrupção. De acordo com o texto, “o sr. Vaccari não ocupava o cargo de tesoureiro do PT no período citado pelos procuradores, durante entrevista no dia de hoje, uma vez que ele assumiu essa posição apenas em fevereiro de 2010.”

Nesta segunda-feira (16), o Ministério Público Federal (MPF) denunciou 27 pessoas por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, entre elas, o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto e o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato de Souza Duque. Esta é a primeira denúncia contra os dois referente à Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF).

No site da Construtora, OAS anuncia construção de gasotudo (Foto:Reprodução)

No site da Construtora, OAS anuncia construção de gasotudo (Foto:Reprodução)

 

Fonte: Gazeta Web.

 

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