Segunda-Feira, 17 de Dezembro de 2018
Política

Collor alerta que mudança de embaixada em Israel pode prejudicar o Brasil

Parlamentar defende que país exerça seu 'soft power' nas relações internacionais, buscando a construção da paz e do consenso

Por: Vale Agora Web em 06/12/2018 às 6:00

201812051443_ea70829850O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, senador Fernando Collor de Mello (PTC/AL), alertou nesta quarta-feira (05) que uma possível mudança da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém pode afetar as relações comerciais do Brasil com o mundo árabe, além de colocar o país na rota para ataques de grupos extremistas. O parlamentar apontou que a transferência traz ganhos incertos e que “essa decisão precisa ser repensada, deixando as emoções de lado”.

Para Collor, o legado da diplomacia do Itamaraty precisa ser respeitado como política de Estado, dando continuidade ao papel de grande interlocutor internacional que o Brasil sempre realizou e que vem exercendo. Ele destacou que o país não deve adotar uma posição de alinhamento automático ou subserviência pelo fato de  determinada nação ter feito o mesmo. O presidente da CRE narrou, ainda, que em nenhum momento Israel cobrou ou propôs aos líderes brasileiros a mudança da sede da embaixada.

“Uma posição como essa tem que ser muito bem avaliada pelos líderes brasileiros. Porque na diplomacia, mais do que em qualquer outra atividade da nossa vida, nenhuma ação fica sem uma reação. Nenhuma. Certamente, tem consequências. A mudança da embaixada em Israel apresenta ganhos incertos, mas, sem dúvida, será um grande desconforto para os países amigos do mundo árabe, com os quais nós temos um comércio extremamente vigoroso e superavitário” – disse o senador.

Collor alerta que mudança de embaixada em Israel pode prejudicar o Brasi

Além dos eventuais prejuízos econômicos que a mudança pode impactar nas relações brasileiras, Collor alertou que na área da segurança internacional pode haver uma reação. “O Brasil pode começar a ser alvo de ações terroristas, porque há grupos mais radicais que, de repente, podem entender essa posição do país como uma ação contra o mundo islâmico. E a partir daí, o Brasil se transforma em alvo de ações terroristas. E a troco de quê? Eventual alinhamento automático? Não podemos ser simplesmente subservientes”, analisou Collor, ressaltando que as ações realizadas pelo presidente Donaldo Trump têm trazido instabilidade ao mundo.

Senadores ressaltaram liderança de Collor durante debates internacionais

FOTO: AGÊNCIA SENADO

 

Collor também relembrou que o Brasil sempre seguiu e foi signatário de acordos com a participação das Nações Unidas e que, portanto, a ação de coerência histórica do Itamaraty precisa ser respeitada. “O Brasil sempre seguiu as leis internacionais, sempre esteve de acordo com as resoluções e diretrizes das Nações Unidas. O Brasil precisa exercer seu ‘soft power’ nas resoluções de conflitos, garantindo as mediações, além de buscar, por meio do diálogo, o consenso e paz. Acredito que não é com o alinhamento automático com aquele presidente ou país que vamos conseguir isso” – finalizou.

Por Jonathas Maresia | Portal Gazetaweb.com

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